sem apoio financeiro, sairemos de Moçambique – Times de Todos

O Governo de Ruanda anunciou neste domingo (15.03) que o destacamento militar enviado a Cabo Delgado, norte de Moçambique, poderá ser retirado caso não haja garantias de financiamento sustentável para as operações de combate ao terrorismo. A declaração foi feita pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Olivier Nduhungirehe, em sua conta oficial na rede social X, sendo a segunda posição oficial divulgada em menos de 24 horas.
Segundo Nduhungirehe, Ruanda não investiu centenas de milhões de dólares nem enviou seus soldados para que seus esforços e conquistas fossem desvalorizados. Ele destacou que as tropas ajudaram a estabilizar a região, permitiram o retorno de deslocados internos, reabertura de escolas e empresas, além de garantir condições para os mega investimentos em Gás Natural Liquefeito (GNL).
A posição do ministério surge com a aproximação do fim do apoio financeiro da União Europeia à operação, previsto para maio, após 36 meses de financiamento que totalizaram 40 milhões de euros. Além disso, os Estados Unidos aplicaram sanções às Forças de Defesa de Ruanda (RDF) devido a questões envolvendo o conflito na República Democrática do Congo.
Poucas horas antes, a porta-voz ruandesa Yolande Makolo reforçou que, caso o trabalho das RDF não seja reconhecido, a retirada do país africano será justificada.
Até o momento, não há negociações em andamento para a continuidade do apoio europeu às forças de Ruanda em Cabo Delgado, confirmou a delegação da UE em Moçambique.
Enquanto isso, a ministra moçambicana dos Negócios Estrangeiros, Maria Lucas, participa de visitas à União Europeia em Bruxelas para garantir a continuidade do apoio ao desenvolvimento e à capacitação das Forças de Defesa e Segurança (FDS) no combate ao terrorismo no norte do país. Lucas afirmou que Maputo busca manter a prioridade da UE e assegurar a permanência da missão de treinamento.




