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Ativista critica pedido de contribuições para escolas e denuncia gastos com “consultorias milionárias” – Times de Todos

MAPUTO – O conhecido ativista de direitos humanos moçambicano, Adriano Nuvunga, publicou este domingo (15 de Março) uma carta aberta dirigida ao Presidente da República, reagindo com duras críticas ao recente apelo presidencial para que as famílias contribuam financeiramente para a manutenção das escolas no país.

​No documento, intitulado “Pedir 20 meticais ao povo enquanto o erário público alimenta consultorias milionárias”, Nuvunga classifica a iniciativa como contraditória face aos escândalos de má gestão de fundos públicos e ao elevado custo de vida enfrentado pela população.

​O Contraste entre a Carência e o Gasto Público

​O apelo presidencial, feito durante a inauguração de uma escola na província de Sofala, sugeria contribuições de 20 ou 50 meticais por família. Contudo, Nuvunga argumenta que este pedido surge num cenário onde:

  • Infraestruturas precárias: Crianças continuam a estudar debaixo de árvores e sentadas no chão, 50 anos após a independência.
  • Contraste financeiro: Enquanto se pede sacrifício às famílias empobrecidas, o Estado adjudica milhões de dólares em consultorias de eficácia duvidosa.
  • Exemplo de má gestão: O ativista citou especificamente o Projecto de Mobilidade Urbana de Maputo, gerido pelo Ministério dos Transportes e Logística, como um exemplo de onde recursos avultados são gastos em “relatórios e planos” sem impacto real na vida dos cidadãos.

​”Num verdadeiro espírito de serviço público, os que governam deveriam ser os primeiros nos sacrifícios e os últimos nos benefícios”, afirma Nuvunga na missiva.

Crise de Confiança

​A carta destaca uma profunda crise de confiança entre o governo e o eleitorado. Segundo o ativista, qualquer campanha de mobilização nacional corre o risco de ser interpretada não como um gesto patriótico, mas como um fardo adicional imposto a um povo “cansado de carregar sozinho o peso de um sistema que não o serve”.

​Nuvunga conclui apelando a uma mudança de postura na gestão do erário público, sugerindo que o problema da educação em Moçambique não reside na falta de vontade das famílias, mas na “ausência de exemplo vindo do topo do Estado”.

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