Governo lança plano radical para acabar com a dependência do gás e carvão – Times de Todos

O Executivo moçambicano pretende implementar uma mudança estrutural na sua política económica, visando diminuir a excessiva concentração na indústria extractiva. A nova orientação foca-se no desenvolvimento de cadeias de valor e no fomento de sectores produtivos que possuam um elevado efeito multiplicador na economia nacional.
Esta intenção detalhada no relatório de execução do Orçamento do Estado de 2025, elaborado pelo Ministério das Finanças, aponta para a urgência de reformas “robustas” que corrijam as vulnerabilidades do modelo económico actual. Segundo o documento, o crescimento recente tem sido insuficiente, exigindo uma gestão fiscal e económica mais selectiva e prudente.
O Desempenho do PIB em 2025
Embora o país tenha registado uma recuperação no quarto trimestre de 2025 — com uma subida de 4,67% em comparação ao ano anterior — o balanço final do ano foi de uma retracção de 0,52%. Este cenário negativo é o reflexo de um ano marcado por dificuldades:
- Primeiro semestre: Quedas consecutivas de 3,92% e 0,94%.
- Terceiro trimestre: Contracção de 0,85%.
O relatório associa esta trajectória descendente, em grande parte, ao clima de instabilidade e às manifestações violentas ocorridas após as eleições de Outubro de 2024. O impacto destes protestos, que se prolongaram por cinco meses, resultou em perdas humanas e na destruição severa de infraestruturas e unidades comerciais.
Prioridades e Investimento Selectivo
Para inverter a tendência de crescimento concentrado apenas no carvão e no gás natural — que ainda dominam a balança de exportações — o Ministério das Finanças defende que o investimento público deve ser direccionado para áreas estratégicas. Os sectores considerados vitais para a revitalização económica incluem:
- Indústria Transformadora;
- Agricultura e Pescas;
- Energia e Construção;
- Logística e Transportes.
O documento sublinha que a despesa pública deve ser gerida de forma a evitar desequilíbrios fiscais e pressões inflacionárias, que acabam por retrair o investimento privado e o consumo das famílias.
Apoio às Pequenas Empresas e Emprego
A nova directriz económica coloca as Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPME) no centro da recuperação. O Governo acredita que, ao reforçar o apoio a este segmento, será possível dinamizar o comércio (incluindo o informal) e promover o auto-emprego, com foco especial na integração da camada jovem no mercado de trabalho.




