Caça às Bruxas na Educação? 30 Professores Transferidos Após Exigir Horas Extras em Massinga – Times de Todos

O arranque do ano lectivo de 2026 no distrito de Massinga está a ser marcado por forte tensão no sector da Educação. Trinta professores da Escola Secundária Maria da Luz Guebuza, localizada em Mupaculane, receberam guias de transferência compulsiva para estabelecimentos situados em zonas consideradas remotas do distrito.
Os docentes visados são apontados como estando entre os que, em 2025, decidiram reter as notas finais dos alunos como forma de pressionar o Governo provincial a liquidar dívidas relacionadas com horas extras acumuladas desde 2023.
De acordo com Marcos Mulima, porta-voz da ANAPRO, algumas escolas de Massinga receberam parte dos valores em dívida em 2023. Contudo, segundo afirma, os professores da Escola Secundária Maria da Luz Guebuza não terão beneficiado de qualquer pagamento.
Ainda segundo a fonte, durante o período de retenção das notas foram realizadas reuniões a nível distrital e provincial, tendo inclusive sido acionados agentes do SISE no distrito, alegadamente para intimidar os docentes e forçar a libertação dos resultados.
Apesar da pressão, os professores mantiveram a posição até janeiro deste ano, quando decidiram disponibilizar as notas, invocando responsabilidade profissional e preocupação com o futuro académico dos alunos.
Entretanto, mesmo após a normalização da situação, o Governo de Inhambane terá avançado com a transferência dos 30 docentes — número que representa quase metade do corpo docente da instituição. A ANAPRO afirma que continuará a acompanhar o caso até que os direitos dos professores sejam repostos.
Casos semelhantes já foram registados na província. Em 2023, professores da Escola Secundária 29 de Setembro, na Maxixe, também foram transferidos após reivindicarem pagamento de horas extras. Em 2024, docentes da Escola Secundária de Vilankulo enfrentaram igual medida, num contexto associado a alegado envolvimento político nas eleições autárquicas.




