Ativista sul-sudanês é condenado nos EUA por plano de Golpe de Estado no Sudão do Sul – Times de Todos

Phoenix (EUA) — O economista e ativista sul-sudanês Peter Biar Ajak, de 42 anos, foi condenado a 46 meses de prisão por envolvimento num plano de contrabando de armamento militar com destino ao Sudão do Sul, com o objetivo de apoiar um golpe de Estado. A sentença foi proferida por um tribunal federal do Arizona.
Residente no estado de Maryland, Ajak foi considerado culpado por conspirar para violar a Lei de Controlo da Exportação de Armas e a Lei de Reforma do Controlo de Exportações, após ter admitido a participação no esquema. Além da pena de prisão, deverá cumprir três anos de liberdade supervisionada após a libertação.
Detido desde a sua prisão, em março de 2024, Ajak já cumpriu quase metade da pena. De acordo com as regras federais norte-americanas que permitem redução por bom comportamento, ele poderá tornar-se elegível para libertação dentro de cerca de 16 meses.
No mesmo processo, o coarguido Abraham Chol Keech, de 46 anos, residente no Utah, foi condenado em dezembro a 41 meses de prisão pelo seu papel na conspiração.
Segundo os procuradores, entre fevereiro de 2023 e março de 2024, os dois tentaram adquirir ilegalmente armas avaliadas em cerca de 4 milhões de dólares, incluindo sistemas de mísseis Stinger, lançadores de granadas, metralhadoras e milhões de munições. O plano previa o envio do material para o Sudão do Sul, disfarçado como ajuda humanitária, com o objetivo final de derrubar o governo e instalar Ajak no poder.
O Departamento de Justiça dos EUA indicou que os arguidos chegaram a criar faturas falsas e discutiram o pagamento de subornos para facilitar o transporte do armamento, apesar do embargo internacional de armas imposto ao Sudão do Sul pelas Nações Unidas.
A condenação representa uma queda acentuada na trajetória de Ajak, que já foi reconhecido internacionalmente como académico e ativista da paz. Antigo refugiado conhecido como um dos “Lost Boys”, formou-se na Universidade de Harvard, concluiu doutoramento na Universidade de Cambridge e trabalhou como economista do Banco Mundial.
Em 2020, Ajak refugiou-se nos Estados Unidos após alegar perseguição política no seu país. Anteriormente, havia passado cerca de dois anos detido numa prisão em Juba, num caso que gerou críticas e apelos internacionais.
Como parte do acordo judicial, os arguidos aceitaram confiscar quase 2 milhões de dólares angariados para financiar a compra das armas.




