Economia

Banco Mundial confessa que modelo de grandes investimentos em Moçambique fracassou – Times de Todos

​O Banco Mundial reconheceu, no seu novo Quadro de Parceria com o País (CPF 2026-2031), que o modelo económico baseado em megaprojectos extractivos falhou em transformar a vida da população moçambicana. Segundo a instituição, estas grandes iniciativas não geraram empregos significativos nem trouxeram benefícios reais para as comunidades locais.

O Retrocesso na Luta Contra a Pobreza

​Embora Moçambique tenha registado um crescimento médio do PIB de 8,2% entre 1996 e 2015 — uma das taxas mais altas do mundo —, o impacto social foi negativo nos últimos anos.

  • Aumento da Pobreza: A taxa de pobreza, que era de 48% em 2014, disparou para 63% em 2022.
  • Falta de Oportunidades: O crescimento foi impulsionado pelo sector extractivo, que cria poucos postos de trabalho e tem baixo impacto na economia real.

Mudança de Estratégia: Foco em Inhambane e Corredor de Nacala

​Para o ciclo 2026-2031, o Banco Mundial decidiu abandonar o foco em grandes infraestruturas e concentrar-se em sectores com maior potencial de empregabilidade:

  1. Agronegócio: Foco no Corredor de Nacala. O relatório critica o facto de as linhas ferroviárias serem usadas quase exclusivamente para minérios, ignorando o escoamento agrícola.
  2. Turismo: Foco na província de Inhambane, visando criar empregos locais para jovens.

Críticas ao Governo e ao Ensino

​O documento contém duras críticas à governação e ao sistema social:

  • Contrato Social Quebrado: O Banco Mundial aponta que a confiança entre o Estado e os cidadãos foi erodida pela exclusão social e conflitos, como em Cabo Delgado.
  • Crise na Educação: Apesar do aumento do acesso às escolas, a qualidade é alarmante. Apenas 5% dos alunos da 3ª classe conseguem ler e entender um texto simples. O relatório menciona ainda turmas superlotadas (mais de 70 alunos por professor) e a prevalência de assédio sexual nas escolas.

Admissão de Falhas Internas

​A instituição também faz um “mea culpa”, admitindo que programas anteriores, como o Sustenta, não aumentaram a produtividade agrícola e que houve uma dependência excessiva de consultores externos, que pouco contribuíram para a capacidade institucional do país.

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