O que se sabe sobre a morte de Pedro Ferraz Reis e a tese de suicídio contestada – Times de Todos

MAPUTO – A morte violenta do português Pedro Ferraz Reis, administrador do banco BCI, ocorrida na noite de segunda-feira numa casa de banho do Hotel Polana, continua a gerar intensa controvérsia e ceticismo em relação às conclusões das autoridades moçambicanas.
Contradições no Inquérito
Embora a polícia tenha inicialmente declarado o caso como homicídio com arma branca, o Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic) alterou a tese para “morte auto-infligida” (suicídio) num curto espaço de tempo. Esta conclusão é amplamente questionada devido ao grau de implausibilidade: o corpo do administrador apresentava múltiplas feridas nas mãos, costas, coxa, pescoço e uma perfuração profunda no coração.
Pressão Diplomática e Críticas ao Sernic
O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal, através do ministro Paulo Rangel, confirmou estar em contacto direto com as autoridades de Maputo e com a família da vítima, que exige uma investigação rigorosa para apurar a verdade dos factos.
Entidades como o Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD) alertam para a vulnerabilidade do sistema de investigação moçambicano, alegando que o Sernic está “minado pela corrupção” e infiltrado por células criminosas. O próprio diretor-geral do Sernic, Ilídio Miguel, admitiu recentemente a existência de agentes indisciplinados envolvidos com o crime organizado.
O Contexto do Crime Organizado
A notícia recorda o histórico de ligações perigosas na capital, mencionando a família Satar, conhecida pelo envolvimento em crimes de grande impacto. Atualmente, o empresário Zanil Satar (sobrinho de “Nini” Satar) mantém um litígio judicial com o BCI, acusando o banco de “burla gravada” num processo que envolve o Grupo Taverna e dívidas de milhões de meticais.
Pedro Ferraz Reis não era arguido neste processo, mas o BCI, gerido pela Caixa Geral de Depósitos e pelo BPI, tem negado firmemente as acusações de promessas de crédito não cumpridas que estão na base da disputa judicial.
Fonte: Público




