Escritora denuncia vídeo falso onde “vende” chá afrodisíaco – Times de Todos

A tecnologia, quando desviada para fins ilícitos, torna-se uma arma perigosa, e a mais recente vítima é uma das maiores figuras da cultura moçambicana. Em declarações exclusivas à MBC TV, a escritora Paulina Chiziane, Prémio Camões e referência da literatura mundial, revelou estar a ser alvo de uma fraude digital sofisticada que utiliza a sua imagem e voz sem autorização.
A Fraude do “Chá Afrodisíaco”
Através da técnica de deepfake — onde a Inteligência Artificial (IA) simula de forma realista o rosto e a fala de uma pessoa —, criminosos criaram um vídeo onde a escritora aparece a promover um suposto chá afrodisíaco. Paulina Chiziane desmente categoricamente qualquer envolvimento com o produto e manifesta a sua indignação pelo uso da sua autoridade moral para enganar o público.
Em conversa com o repórter Rui Dgedge, a autora confessou sentir-se impotente perante a situação. “Não sei como responsabilizar os criminosos”, desabafou, sublinhando a dificuldade de travar a propagação de conteúdos falsos que mancham a sua reputação construída ao longo de décadas.
Vazio Legal em Moçambique
O caso de Paulina Chiziane reacende o alerta sobre a “terra de ninguém” que se tornou o espaço digital moçambicano. Especialistas alertam para os perigos de:
- Falta de Regulação: Moçambique ainda não possui leis específicas que punam severamente o uso indevido de IA e manipulação de identidade.
- Insegurança Digital: O episódio prova que ninguém, independentemente do seu estatuto social, está a salvo dos “agentes do mal” que operam na internet.
- Impacto na Verdade: A facilidade de criar vídeos falsos coloca em risco a credibilidade de figuras públicas e a confiança das instituições.
A denúncia da escritora serve como um grito de socorro e um apelo urgente às autoridades para que a utilização da Inteligência Artificial seja regulamentada no país, pondo fim à impunidade de quem manipula a realidade sem limites.




