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Governo não usou a informação meteorológica e hidrológica que tinha desde Agosto – Times de Todos

O líder da ANAMOLA afirma que o Executivo ignorou alertas meteorológicos e hidrológicos disponíveis desde agosto de 2025, o que teria evitado a atual crise humanitária.

MANHIÇA — Numa visita de monitorização aos estragos causados pelas intempéries na província de Maputo, Venâncio Mondlane, presidente da Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (ANAMOLA), lançou duras críticas à atuação estatal perante as inundações que fustigam o sul de Moçambique. Para o político, o cenário de devastação nas províncias de Maputo e Gaza não é uma fatalidade inevitável, mas sim o resultado de uma falha grave na planificação e uso de dados técnicos.

Alertas Antecipados e Falta de Contingência

​Mondlane sustenta que, já em agosto do ano passado, o Governo detinha informações cruciais sobre o estado das barragens nos países vizinhos, como a África do Sul. Com as bacias hidrográficas a montante próximas da capacidade máxima, era previsível que a época chuvosa exigiria descargas massivas.

​O político destacou ainda que o Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) já emitia avisos em setembro sobre a probabilidade de precipitação acima do normal. “Temos a informação técnica, mas não a transformamos em planos de contingência eficazes”, criticou, sublinhando que este conhecimento prévio deveria ter servido para:

  • Mobilização de Meios: Posicionamento estratégico de helicópteros e barcos de resgate antes do agravamento da situação.
  • Logística de Emergência: Criação de stocks de alimentos e medicamentos, além da prontidão de equipas de saúde treinadas.
  • Prevenção Comunitária: Retirada antecipada das populações das zonas de risco em distritos como Chókwè, Chibuto e Guijá.

O Custo da Corrupção na Resiliência Climática

​Um dos pontos centrais da denúncia de Mondlane foca-se na gestão financeira dos fundos destinados às mudanças climáticas. O líder da ANAMOLA estima que Moçambique recebeu cerca de 5 mil milhões de dólares nas últimas cinco décadas para o combate aos efeitos climáticos e saneamento.

​Segundo a sua análise, se não houvesse o entrave da corrupção, o impacto das cheias atuais seria reduzido em pelo menos 70%. Mondlane defende que o país necessita urgentemente de um investimento sério em infraestruturas de saneamento e de um combate implacável ao desvio de fundos públicos para garantir a segurança dos cidadãos.

Panorama Atual da Calamidade

​Moçambique permanece sob Alerta Vermelho. O transbordo de grandes rios como o Umbelúzi, Incomáti e Limpopo já afetou mais de 500 mil pessoas. A situação é particularmente crítica na província de Gaza, onde centenas de famílias permanecem cercadas pelas águas. A conectividade nacional também está severamente comprometida, com a Estrada Nacional Nº 1 (EN1) interrompida em três pontos distintos devido ao galgamento das águas.

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