Restos Mortais Chegam de Lisboa esta Quarta-feira – Times de Todos

O país despede-se de uma das suas maiores referências políticas e económicas. As cerimónias fúnebres da antiga Primeira-Ministra terão lugar na Cidade de Maputo.
MAPUTO — O corpo de Luísa Dias Diogo, figura incontornável da história contemporânea de Moçambique, regressa à pátria na manhã desta quarta-feira, 21 de janeiro. A antiga governante faleceu na última sexta-feira, em Lisboa, onde se encontrava sob cuidados médicos no prestigiado Centro Clínico Champalimaud.
Programa das Cerimónias Fúnebres
De acordo com o comunicado oficial emitido pelas famílias Diogo e Silva, o cronograma para as últimas homenagens à economista já está definido:
- Chegada do corpo: Quarta-feira (21/01), às 07h30m, no Aeroporto Internacional de Mavalane.
- Missa de corpo presente: Sexta-feira (23/01), na Igreja de Santo António da Polana.
- Velório Oficial: Paços do Conselho Municipal da Cidade de Maputo.
- Funeral: Cemitério de Lhanguene, na capital do país.
Uma Trajectória de Pioneirismo e Liderança
Natural de Tete e falecida aos 68 anos, Luísa Diogo deixou uma marca indelével na administração pública. Foi a primeira mulher a ocupar o cargo de Primeira-Ministra (2004-2010), tendo servido anteriormente como Ministra e Vice-Ministra do Plano e Finanças. A sua gestão foi caracterizada pelo rigor macroeconómico e pela promoção de reformas que impulsionaram o crescimento do país no pós-guerra.
Além do sector público, Diogo brilhou na esfera corporativa e internacional:
- Presidiu aos Conselhos de Administração do Absa Bank Moçambique (antigo Barclays) e do Parque Industrial de Beluluane.
- Foi reconhecida globalmente pelas revistas Forbes e Time como uma das mulheres mais influentes do mundo.
- Publicou a obra “A Sopa da Madrugada”, onde partilhou os bastidores da governação e o desafio da liderança feminina.
O Legado Político e Social
Esposa do advogado Albano Silva, a sua influência estendeu-se para além das fronteiras nacionais, actuando em painéis de alto nível das Nações Unidas. Em 2014, protagonizou um momento histórico na política interna ao disputar a sucessão presidencial na Frelimo, chegando à segunda volta contra o actual Presidente, Filipe Nyusi.
O falecimento de Luísa Diogo representa a perda de uma voz moderada, tecnocrata e defensora acérrima da igualdade de género, cujo legado continuará a inspirar futuras gerações de líderes em África e no mundo.




