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Crime Organizado ou Infiltração? Especialista diz que AKM-47 usadas em crimes vêm de dentro do Estado – Times de Todos

Para o criminalista Sandro de Souza, a precisão dos crimes e o uso de armamento de guerra sugerem que os executores possuem informações privilegiadas e acesso a recursos do Estado.

MAPUTO – A recente vaga de homicídios perpetrados com armas de guerra em Moçambique ultrapassou a barreira da criminalidade comum para se tornar uma crise de confiança institucional. Especialistas apontam que o padrão destas execuções revela uma organização logística que só seria possível com a conivência ou participação de elementos internos das estruturas de administração da justiça.

Execuções sem margem de erros

​O criminalista Sandro de Souza, ao analisar o modus operandi destes crimes, destaca que não se trata de violência aleatória. Segundo o especialista, as características técnicas — como a premeditação e a escolha cirúrgica das vítimas — indicam operações conduzidas por redes profissionais.

​“Estamos perante assassinatos que não falham. Este nível de eficácia exige planeamento rigoroso, treino militar e, acima de tudo, informação que não está ao alcance do cidadão comum”, afirma Souza.

A fuga de informações sob Segredo de Justiça

​Um dos pontos mais alarmantes levantados pela análise é o conhecimento detalhado que os criminosos demonstram sobre as vítimas. Os executores parecem estar a par de rotinas e deslocações que, teoricamente, estariam protegidas por segredo de justiça ou restritas a investigadores. Para o especialista, isto sugere que os dados das investigações podem estar a ser partilhados com os próprios criminosos.

O rasto das armas de guerra

​O uso recorrente de metralhadoras AK-47 e AKM é o elemento que mais compromete as instituições. Por serem armas de uso restrito das Forças de Defesa e Segurança (FDS), o seu aparecimento em cenários de crime levanta questões críticas sobre o controlo do arsenal estatal. Sandro de Souza aponta três caminhos possíveis para estas armas chegarem ao crime organizado:

  1. Desvio interno de armazéns oficiais;
  2. Empréstimo deliberado por agentes do Estado;
  3. Contrabando facilitado por conivência institucional.

​A conclusão é sombria: o problema atual de Moçambique pode não ser apenas a circulação de armas, mas a gestão da “verdade” dentro das instituições que deveriam combater o crime.

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