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A Etiópia só estará em 2019 em setembro de 2026 e nós explicamos a ciência por trás disso. – Times de Todos

ADIS ABEBA – Enquanto o mundo celebra o início de 2026 com fogos de artifício e promessas de ano novo, uma nação inteira permanece, tecnicamente, no passado. Na Etiópia, o calendário oficial marca apenas o ano de 2018. A discrepância, que parece roteiro de ficção científica, é na verdade um dos pilares da rica e preservada identidade cultural etíope.

O Mistério dos 13 Meses

A diferença não é apenas no ano. A Etiópia é famosa por ser o país dos “13 meses de sol”. Seu calendário — o Calendário Etíope ou Ge’ez — possui 12 meses de exatos 30 dias e um 13º mês adicional, chamado Pagumē, que dura apenas cinco ou seis dias (dependendo se o ano é bissexto).
Essa estrutura faz com que o Ano Novo Etíope, conhecido como Enkutatash, seja celebrado apenas em setembro do calendário ocidental. Portanto, quando Angola e o resto do mundo estiverem vivendo setembro de 2026, os etíopes estarão finalmente estourando o champanhe para celebrar a chegada de 2019.

Por que o tempo “parou”?

A explicação é teológica. Enquanto a Igreja Católica Romana ajustou o cálculo do nascimento de Jesus Cristo em 1582 (adotando o Calendário Gregoriano), a Igreja Ortodoxa Etíope manteve os cálculos antigos. Para eles, a Anunciação ocorreu sete a oito anos mais tarde do que o previsto pelo Vaticano.

“Viajar para a Etiópia é, literalmente, como entrar em uma máquina do tempo”, relatam turistas que se surpreendem ao verem datas ‘antigas’ em recibos de hotel e jornais locais.

O Relógio que Desafia o Fuso

Se o calendário já não fosse confuso o suficiente para os desavisados, a Etiópia também conta as horas de forma distinta. O ciclo de 24 horas começa ao amanhecer, e não à meia-noite. Assim, às 7h da manhã (horário internacional) é, para um etíope, apenas a “1ª hora do dia”.

Em um mundo cada vez mais globalizado e padronizado, a resiliência do tempo etíope serve como um lembrete de que a percepção da realidade é, acima de tudo, uma questão de perspectiva cultural.

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