Kóxukhuro apresenta provas de corrupção no IFP – Times de Todos

A organização da sociedade civil Kóxukhuro entregou, esta terça-feira (23), ao Gabinete Provincial de Combate à Corrupção um conjunto de provas que indicam a existência de um esquema organizado de corrupção no Instituto de Formação de Professores (IFP) da ADPP, em Nacala. As denúncias referem cobranças ilícitas para admissão, permanência nos cursos e aprovação académica.
Segundo o director executivo da Kóxukhuro, Gamito dos Santos, a participação criminal resulta de vários meses de apuração iniciada em Junho, após a recepção de sucessivas queixas de candidatos e estudantes. A organização montou uma equipa para verificar os relatos e concluiu pela ocorrência de práticas corruptas reiteradas na instituição.
De acordo com o responsável, as irregularidades envolvem pagamentos exigidos para garantir vagas, manter alunos nos cursos e facilitar aprovações. A Kóxukhuro sustenta que existe uma estrutura interna organizada, integrada por funcionários do próprio IFP, dedicada à extorsão de candidatos e estudantes.
Provas entregues às autoridades
A organização informou que remeteu às autoridades um dispositivo electrónico contendo provas consideradas robustas, incluindo áudios, vídeos, imagens e outros registos que permitem identificar os principais intervenientes. O material foi entregue para instruir a investigação e subsidiar eventuais responsabilizações criminais.
Questionado sobre a identificação dos suspeitos, Gamito dos Santos afirmou que os nomes não serão divulgados nesta fase, por respeito ao segredo de justiça, acrescentando que os indícios apontam para envolvimento de membros da instituição e possíveis ramificações para níveis superiores.
Valores cobrados e métodos usados
Segundo a Kóxukhuro, as quantias exigidas para assegurar a admissão variavam entre 50 mil e 70 mil meticais. Há relatos de vítimas que, mesmo após o pagamento, não obtiveram vaga, recebendo promessas de integração no ano seguinte. A organização diz possuir registos que confirmam essas situações.
Além das cobranças, o esquema incluiria facilitação fraudulenta durante exames, com uso de dispositivos electrónicos ocultos e pagamentos adicionais, estimados entre 15 mil e 20 mil meticais, para permitir o acesso às salas de prova com esses meios.
Número de implicados
Sem avançar identidades, a Kóxukhuro estima que cerca de dez funcionários do Instituto de Formação de Professores estejam directamente envolvidos. A organização defende uma investigação célere e aprofundada para apurar responsabilidades, salvaguardar o direito à educação e restaurar a credibilidade da formação de professores em Nacala.




