Etiópia detém nove tiktokers por “vestuário indecente” e conteúdos considerados impróprios – Times de Todos

As autoridades etíopes detiveram, ao longo desta semana, nove criadores de conteúdo do TikTok sob acusações relacionadas ao uso de vestuário considerado “indecente” e à publicação de conteúdos classificados pela polícia como contrários aos valores culturais do país. As detenções ocorreram num contexto de crescente tensão entre normas tradicionais e a presença cada vez maior das redes sociais na vida dos jovens.
Seis dos detidos foram presos devido às roupas que usaram no Ethiopia Creative Awards, evento realizado há cerca de duas semanas e dedicado a influenciadores digitais. Entre eles está Adonay Berhane, criador de conteúdo motivacional e de estilo de vida, de 25 anos, que conta com quase quatro milhões de seguidores. Ele foi fotografado usando uma camisa com o colarinho aberto, o que, segundo as autoridades, violaria padrões considerados apropriados. A mãe de Adonay, Abeba Gebru, afirmou à BBC Tigrinya que ficou surpresa com a detenção, descrevendo o filho como um “exemplo para a juventude etíope”.
A criadora Wongelawit Gebre Endrias, conhecida como Evan, também foi detida, após comparecer ao evento usando um blazer oversized sem sutiã. Outro influenciador, Yohannes Mekonnen — Jahnny — premiado pela produção de vídeos, foi apontado pela polícia pelo uso de uma bolsa masculina.
Os restantes criadores foram detidos por conteúdos publicados no TikTok. A polícia declarou que alguns usaram a plataforma para promover comportamentos considerados inadequados e mencionou especificamente dois utilizadores envolvidos em um “ato inapropriado” durante uma transmissão ao vivo. Em comunicado, as autoridades afirmaram que os conteúdos violavam o “bom comportamento e a ética”.
As prisões desencadearam um amplo debate nas redes sociais do país. Defensores dos influenciadores alegam que as detenções representam um ataque à criatividade e à liberdade de expressão, enquanto setores conservadores apoiam a ação policial, argumentando que figuras públicas devem respeitar as normas culturais da Etiópia.
O governo etíope não se pronunciou oficialmente sobre o caso, mas a polícia federal advertiu que outras medidas poderão ser tomadas contra quem “violar os valores culturais do país” ou promover aquilo que descreveu como uma “cultura superficial”.
Com mais de oito milhões de utilizadores de redes sociais, o episódio evidencia o choque crescente entre a expansão da cultura digital e as tradições sociais profundamente enraizadas na Etiópia.




