Economia

Trabalhadores exigem 148 milhões ao IGEPE após 20 anos de espera – Times de Todos

Trabalhadores da antiga vidreira pressionam IGEPE para pagar 148 milhões de meticais após mais de 20 anos

Desde a manhã desta segunda-feira (8), cerca de 30 antigos trabalhadores de uma extinta empresa vidreira concentraram-se em frente à sede do Instituto de Gestão das Participações do Estado (IGEPE), em Maputo, exigindo o pagamento de indemnizações que afirmam estar em dívida há mais de duas décadas.

O grupo, composto por homens e mulheres, ocupou o passeio diante do edifício, alguns sentados, outros deitados, numa vigília pacífica mas firme, em sinal de protesto contra o incumprimento de uma decisão judicial que, segundo dizem, já transitou em julgado.

Os manifestantes asseguram representar aproximadamente 500 ex-funcionários da fábrica de vidro onde trabalharam até 2001. Naquele ano, de acordo com o relato dos mesmos, os sócios portugueses abandonaram a unidade industrial, deixando a gestão ao encargo do Estado, que acabaria por encerrar a fábrica em definitivo.

“O Tribunal, no dia 25 de Novembro, sentenciou o IGEPE a pagar 148.178.520 meticais. Estamos aqui para exigir que a instituição cumpra essa decisão”, declarou Alfredo Tivane, membro da comissão dos trabalhadores.

Tivane recorda que o processo deu entrada no Tribunal em 2002 e arrastou-se durante mais de 20 anos. Ao longo desse período, o grupo diz ter procurado diversas instituições públicas na tentativa de ver o assunto resolvido, sem avanços concretos.

“A Inspecção de Trabalho informou-nos que, por força da separação de poderes e por já existir uma sentença do Tribunal da Cidade, não podia intervir directamente. Voltámos ao Tribunal, que autorizou a Inspecção a fazer os cálculos. Esses cálculos foram feitos, o valor foi fixado e o IGEPE já foi notificado oficialmente. Até agora, não tivemos qualquer resposta”, explicou.

Perante o silêncio da instituição, os ex-trabalhadores decidiram manter uma presença diária no local, entre as 8h00 e as 15h30, até obterem uma posição concreta. “Vamos continuar aqui todos os dias até haver resposta — e a resposta que esperamos é o pagamento”, reforçaram.

Segundo relataram, até ao momento em que deixaram o local, não tinham sido contactados por nenhum representante do IGEPE.

Fonte: A Carta de Moçambique

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