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Genro do embaixador moçambicano em Angola é suspeito de falsificar documentos de nacionalidade e caso gera escândalo – Times de Todos

Uma investigação do MOZTIMES aponta que Eduardo Nguyindu Romão Mbala, genro da embaixadora de Moçambique em Angola, poderá ter adquirido a nacionalidade moçambicana com base em informações falsas. O caso expõe fragilidades no sistema de registo civil e pode envolver tráfico de influência.

O documento em causa é uma certidão de nascimento tardia, registada com dados incompletos e sem testemunhas, que permitiu que Eduardo Mbala fosse reconhecido oficialmente como nascido em Marracuene, província de Maputo. Segundo o registo, ele teria nascido a 15 de abril de 1979 e, por isso, seria moçambicano pelo critério da territorialidade. No entanto, tudo indica que essa informação não corresponde à realidade.

Eduardo Mbala, também conhecido como “Nguindo”, é genro da juíza Osvalda Joana, que integrou o Supremo Tribunal entre 2012 e 2019 e, desde então, exerce funções diplomáticas. Atualmente, representa Moçambique em Angola e São Tomé e Príncipe.

A investigação revela que Mbala é natural de Angola e de nacionalidade angolana — informação que ele próprio confirmou ao MOZTIMES. Pela legislação moçambicana, poderia adquirir a cidadania por via matrimonial após cinco anos de casamento com a moçambicana Áquila Macandja, sua esposa desde 2008. Contudo, optou por um registo de nascimento alegadamente fraudulento que lhe atribuiu origem moçambicana.

O registo foi emitido a 20 de dezembro de 2007, mas só deu entrada nos serviços em 2013. Além da ausência de testemunhas, o documento contém vários elementos suspeitos: falta de identificação dos avós, país de nascimento dos pais omitido, e a indicação de um apelido associado à família da esposa do próprio Mbala.

Fontes indicam que o processo terá sido facilitado por influência da embaixadora Osvalda Joana. Uma funcionária do protocolo do Supremo Tribunal, Cassawa Capece, confirmou que tratou da correspondência relacionada ao registo de Mbala na época em que trabalhava com a magistrada.

Após obter o registo, Eduardo Mbala solicitou o bilhete de identidade moçambicano em janeiro de 2013, usando como morada uma residência oficial do Tribunal Supremo na cidade de Maputo, onde a família da juíza vivia.

Caso seja provado que o registo foi baseado em dados falsos, Eduardo Mbala poderá responder por falsificação de documentos. O caso reacende preocupações sobre corrupção e facilitação de documentos ilegais, um problema já reconhecido publicamente pela Procuradoria-Geral da República.

A embaixadora Osvalda Joana não respondeu às tentativas de contacto feitas pelo MOZTIMES. Eduardo Mbala, por sua vez, negou ter qualquer registo de nascimento em Moçambique e encerrou a chamada quando questionado sobre os documentos moçambicanos emitidos em seu nome.

Atualmente, Eduardo Mbala vive na África do Sul e faz visitas regulares a Moçambique. As autoridades ainda não se pronunciaram oficialmente sobre eventuais investigações formais.

Fonte: MOZTIMES

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