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Venezuela prepara militantes com flechas envenenadas para responder a ameaça dos EUA – Times de Todos

O governo venezuelano anunciou novas directrizes de mobilização das bases chavistas diante do que considera uma “ameaça externa extrema” proveniente dos Estados Unidos. As orientações foram transmitidas por Diosdado Cabello, número dois do chavismo e secretário-geral do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), durante o seu programa semanal, na segunda-feira (17).

Cabello pediu aos militantes “pés firmes, nervos de aço, mobilização máxima; calma e compostura”, numa mensagem que apela à resistência ativa, embora sem mencionar diretamente o ex-presidente americano Donald Trump ou a presença militar dos EUA no Caribe — que inclui o porta-aviões USS Gerald Ford. Ele destacou que 4.523.822 ativistas com mais de 15 anos integram os Comitês Bolivarianos Integrais de Base.

Segundo Cabello, os venezuelanos “não devem deixar de se divertir” enquanto se preparam para a defesa do país. Ele acusou opositores de defenderem o diálogo apenas para serem ouvidos, ignorando as reivindicações populares.

Durante manifestações recentes do Dia da Resistência Indígena, Nicolás Maduro apareceu segurando flechas, num gesto simbólico que reforça a narrativa de preparação para uma eventual ameaça externa.

No fim de semana, o presidente americano sugeriu a possibilidade de diálogo com Maduro, ao mesmo tempo em que o Departamento de Estado classificou o Cartel de Los Soles como organização terrorista, associando-o diretamente ao líder venezuelano.

Em contrapartida, Maduro convocou uma “vigília permanente” de militantes chavistas em seis regiões do Leste do país, definindo-a como uma “fusão perfeita entre povo, militares e polícias” para enfrentar possíveis agressões. Durante o ato, o presidente chegou a entoar trechos de “Imagine”, de John Lennon, e fez um apelo à paz em inglês.

Apesar de uma invasão terrestre dos EUA ser considerada improvável, sectores da ala dura americana e opositores venezuelanos defendem ataques pontuais e até mudança de regime. O governo chavista, no entanto, mantém esse cenário no imaginário dos seus apoiadores como forma de reforçar a coesão interna. Nas mobilizações, voltou a aparecer o personagem “Super Bigode”, super-herói inspirado na figura de Maduro.

Entre as medidas apresentadas por Cabello, destaca-se o recurso a técnicas ancestrais utilizadas por povos amazónicos. Brigadas indígenas foram encarregadas de treinar militantes para o uso de flechas com curare — um veneno paralisante extraído de plantas e tradicionalmente utilizado para caça. Segundo o dirigente chavista, os “agressores externos” aprenderiam, assim, “o que é o curare”.

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