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Michael Randrianirina Destitui Primeiro-Ministro e Assume Controlo Total – Times de Todos

ANTANANARIVO – O cenário político em Madagáscar sofreu uma nova reviravolta nesta segunda-feira (09). O líder militar do país, Michael Randrianirina, anunciou a suspensão imediata do atual governo, resultando na destituição do Primeiro-Ministro e de todo o seu gabinete ministerial. A decisão marca mais um capítulo de incerteza desde a ascensão da junta ao poder.

Gestão de Transição e Justificação Constitucional

​O anúncio foi formalizado por Harry Laurent Rahajason, diretor de comunicações da presidência, através das redes sociais. Segundo o comunicado, a medida baseia-se em prerrogativas constitucionais, embora detalhes específicos sobre as razões da demissão em massa não tenham sido divulgados.

​Para evitar um vácuo administrativo, a presidência determinou que os Secretários-Gerais de cada ministério assumam a gestão das operações quotidianas até que uma nova equipa governamental seja nomeada.

“O Presidente da República procederá, em breve, à nomeação de um novo Primeiro-Ministro, seguindo os trâmites estabelecidos pela Lei Fundamental”, refere a nota oficial.

Contexto: Da Revolta “Gen Z” ao Poder Militar

​Michael Randrianirina assumiu a presidência a 17 de outubro de 2025, após um golpe de Estado liderado pelas forças armadas no dia 14 do mesmo mês. A intervenção militar ocorreu no auge de uma vaga de protestos populares encabeçados pelo movimento “Gen Z Madagascar”.

​Os manifestantes exigiam a saída do então presidente Andry Rajoelina, motivados pela crise persistente no abastecimento de água e energia elétrica. Após semanas de instabilidade, Rajoelina fugiu do país e acabou destituído pelo parlamento.

Promessas de Reforma e Nova Constituição

​Desde a sua tomada de posse, Randrianirina tem defendido uma “rutura com o passado”. O líder da junta comprometeu-se a colaborar com as forças vivas da nação para a redação de uma nova Constituição e a implementação de reformas eleitorais profundas antes da convocação de novos sufrágios.

​O objetivo declarado pela junta é uma reestruturação completa dos sistemas de governação administrativa e socioeconómica de Madagáscar, que enfrenta uma das crises sociais mais severas da sua história recente.

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