Influenciadora que dançou áudio atribuído à presidente Samia Suluhu Hassan enfrenta pena de morte – Times de Todos

A influenciadora digital tanzaniana Jennifer Jovin, conhecida nas redes sociais como “Niffer”, de 25 anos, está a responder em tribunal sob a acusação de traição, crime que, segundo a legislação da Tanzânia, pode resultar em pena de morte ou prisão perpétua. O caso ganhou repercussão internacional após a jovem ter sido detida no contexto das tensões pós-eleitorais no país.
De acordo com informações divulgadas pelo The Citizen, Niffer foi apresentada ao tribunal juntamente com outros 21 arguidos, todos acusados de envolvimento em ações consideradas pelo Estado como “mobilização de resistência” e “conspiração contra a ordem pública”. As autoridades alegam que o grupo teria participado indireta ou diretamente de atos associados a contestação política após os resultados eleitorais.
A família, entretanto, defende que Niffer está a ser injustamente visada. A mãe da jovem afirmou ao jornal queniano The Star que a filha apenas publicou um vídeo no TikTok, no qual dançava ao som de uma música que circulava amplamente na plataforma. A canção incluía uma edição com áudio atribuído à presidente Samia Suluhu Hassan — conteúdo que a influenciadora não produziu nem remixou, apenas utilizou como milhões de outros usuários fazem diariamente.
Segundo a família, a publicação foi interpretada pelas autoridades como um gesto de desrespeito e incitamento, numa fase em que o governo intensificava medidas contra manifestações e conteúdos considerados sensíveis no período pós-eleitoral.
Organizações internacionais de imprensa, como a BET News e a Radio France Internationale (RFI), também repercutiram o caso, destacando que Niffer passou de criadora de conteúdo popular para ré de um processo grave, marcado por acusações que a colocam perante um dos crimes mais severos previstos na legislação tanzaniana.
A mãe da influenciadora fez um apelo público à presidente Samia Suluhu, solicitando que considere a situação da filha e intervenha para evitar uma condenação extrema. Ela afirmou que Niffer é a principal fonte de sustento da família e que o caso está a destruir emocionalmente todos os envolvidos.
Enquanto isso, organizações de direitos humanos começam a acompanhar o processo, apontando possíveis violações de liberdade de expressão e uso excessivo de leis de segurança nacional contra cidadãos comuns.
O caso segue em instrução criminal, e a jovem permanece detida enquanto aguarda nova audiência judicial.




