Jovem morre a trabalhar com fome — empresa “Youlan” é acusada de negligência – Times de Todos

Uma família residente na cidade de Nampula acusa a empresa de segurança privada “Youlan”, de capitais chineses, de ocultar a morte de um dos seus funcionários e de não prestar qualquer tipo de apoio ou indenização à família da vítima. O caso ocorre há cerca de oito dias e tem gerado forte indignação na comunidade local.
De acordo com informações recolhidas pela imprensa, o jovem, natural de Nampula, teria sido contratado pela “Youlan” para exercer funções de segurança. Pouco tempo após o início das atividades, foi transferido para Maputo, onde acabou por perder a vida em circunstâncias ainda não esclarecidas.
Segundo familiares, a notícia da morte não foi inicialmente comunicada pela empresa, tendo chegado até eles através das redes sociais, concretamente por publicações feitas no Facebook. Apenas depois disso, o gerente da empresa teria feito uma ligação à família, confirmando o óbito.
“Dois dias antes de morrer, o meu irmão ligou a pedir dinheiro para comprar comida, porque a empresa só os colocou a trabalhar sem fornecer alimentação”, contou a irmã da vítima, visivelmente abalada.
Ela acrescenta que o contacto do gerente ocorreu horas após as publicações nas redes sociais, o que gerou ainda mais desconfiança. “Disseram-nos que demoraram a ligar porque ele não tinha documentos. Mas perguntamos: como é que alguém consegue emprego numa empresa conhecida sem apresentar documentação?”, questiona.
De acordo com informações adicionais obtidas pela família, o jovem teria sofrido um acidente enquanto ajudava outra empresa a descarregar produtos, numa tentativa de conseguir algo para comer. Durante o trabalho, o material que manuseava teria caído sobre ele, provocando a sua morte imediata.
A família acredita que o jovem morreu por negligência e falta de assistência da empresa, uma vez que os seguranças estariam a trabalhar sem condições básicas de alimentação e segurança.
Até ao momento, a direção da “Youlan” não prestou esclarecimentos públicos sobre o caso. Mesmo na presença da imprensa no local, as portas permaneceram fechadas e o gerente recusou-se a prestar declarações.
Os familiares exigem indenização e responsabilização criminal da empresa e afirmam que irão recorrer aos tribunais caso o pedido não seja atendido.
“Não queremos brigas, apenas justiça. Ele morreu a tentar sobreviver. A empresa tem de assumir a sua responsabilidade”, concluiu um dos familiares.




