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Joaquim Chissano defende que o diálogo nacional deve seguir o exemplo do Acordo Geral de Paz – Times de Todos

O antigo Presidente de Moçambique, Joaquim Chissano, defendeu que o diálogo nacional inclusivo atualmente em curso no país deve seguir o exemplo do Acordo Geral de Paz de 1992, promovendo confiança, reconciliação e unidade entre os moçambicanos.

“Quando começámos as negociações com a RENAMO, não havia confiança nenhuma. Havia suspeitas de ambos os lados, mas acabámos por assinar o acordo porque a confiança foi sendo construída. O Acordo Geral de Paz mostrou que é possível alcançar entendimento quando há persistência e boa-fé”, afirmou Chissano.

O Acordo Geral de Paz, assinado em Roma em 1992, entre Joaquim Chissano e o líder histórico da RENAMO, Afonso Dhlakama, marcou o fim de 16 anos de guerra civil em Moçambique, que opôs as forças governamentais e o movimento rebelde. O tratado abriu caminho para as primeiras eleições democráticas no país, realizadas dois anos depois.

O antigo chefe de Estado falava durante um encontro com a Comissão Técnica para o Diálogo Nacional (COTE), que visitou a Fundação Joaquim Chissano para recolher recomendações sobre a operacionalização do processo.

Durante a sua intervenção, Chissano sublinhou que o atual diálogo deve ser um espaço de convergência nacional, onde as diferenças políticas não se transformem em barreiras, mas em oportunidades de entendimento.

“Precisamos aproveitar este momento para reforçar a reconciliação entre os moçambicanos, independentemente das divergências políticas. Estamos aqui para discutir como um só povo, em que todos devem ser ouvidos e respeitados”, afirmou.

O Presidente da República, Daniel Chapo, promulgou em abril a Lei do Compromisso Político para o Diálogo Nacional Inclusivo, aprovada pelo Parlamento dias antes, na sequência de um acordo com os partidos políticos assinado em 5 de março de 2025. O objetivo é ultrapassar a tensão e a violência política registadas após as eleições gerais de 9 de outubro de 2024.

Chissano concluiu dizendo que o diálogo deve ser visto como uma oportunidade de reconstruir a confiança nacional, recordando que o Acordo de Paz de 1992 continua a ser uma lição de persistência e esperança para o país.

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