Moeda Digital Criada por Jovens Moçambicanos Será Apresentada ao Banco Central – Times de Todos

Quatro jovens programadores moçambicanos estão a dar um passo inovador no cenário tecnológico nacional com a criação da Medx, uma moeda digital desenvolvida para uso no Instituto Superior de Transportes e Comunicações (ISUTC). O projeto, que começou a ser testado em março deste ano, promete revolucionar a forma como são realizadas as transações digitais no país.
A Medx foi concebida como uma stablecoin — uma criptomoeda com valor atrelado ao metical, o que garante estabilidade e reduz a volatilidade típica das moedas digitais. A ideia surgiu em 2023, fruto da experiência de cinco anos da equipa CryptoNTech, composta por Raimundo Chitava, Chaznil Suleimani, Edilson Jorge Neves e António Costa.
Segundo Raimundo Chitava, o objetivo principal da Medx é “facilitar o quotidiano, tornando as transações mais simples, rápidas e seguras”. A equipa investiu recursos próprios no desenvolvimento da tecnologia, acreditando no potencial transformador da iniciativa.
Em 2024, o projeto foi incluído no Sandbox Regulatório do Banco de Moçambique, um ambiente experimental criado para apoiar a inovação financeira de forma controlada e em conformidade com as normas legais.
Testes no ISUTC
A primeira fase de testes decorre desde março, envolvendo cerca de 500 utilizadores ativos, entre estudantes e pequenos comerciantes do ISUTC. A moeda é acompanhada de uma carteira digital chamada EMedx, que tem permitido transações sem custos e com excelente desempenho.
Apesar do sucesso, a equipa reconhece que ainda enfrenta algum ceticismo entre aqueles que associam criptomoedas a fraudes. Para reverter essa perceção, os criadores têm promovido palestras e campanhas de literacia digital, explicando o funcionamento da blockchain e as vantagens das finanças descentralizadas.
Segurança e Integração
A segurança foi uma das principais prioridades no desenvolvimento da Medx. De acordo com Chitava, o sistema passa por auditorias regulares para evitar vulnerabilidades e fraudes. A colaboração com o Banco de Moçambique reforça o compromisso com a conformidade regulatória e proteção dos utilizadores.
Um dos maiores diferenciais da Medx é a sua interoperabilidade. A equipa planeia que, a longo prazo, a moeda digital possa ser integrada a sistemas como M-Pesa e E-Mola, permitindo levantamentos, depósitos e transferências instantâneas, unindo o dinheiro físico ao digital.
Expansão e Futuro
Com a fase-piloto quase concluída, a CryptoNTech prepara-se para apresentar o projeto oficialmente ao Banco de Moçambique, com o objetivo de obter a licença necessária para o lançamento nacional.
Os próximos passos incluem a expansão para outras instituições de ensino e, posteriormente, para o público em geral, incluindo empresários e investidores.
Segundo os criadores, a visão vai além dos simples pagamentos. A Medx poderá ser a base para um mercado tokenizado, onde será possível comprar e vender ativos, como ações e produtos digitais, através de tokens – consolidando Moçambique como um novo polo de inovação financeira no continente.




