Oposição contesta presença de Daniel Chapo na posse de Samia Suluhu – Times de Todos

A presença do Presidente moçambicano, Daniel Chapo, na cerimónia de tomada de posse de Samia Suluhu Hassan para um novo mandato como Presidente da Tanzânia gerou fortes críticas entre os partidos da oposição em Moçambique. O chefe de Estado justificou a sua ida a Dodoma com base nos laços históricos que unem os dois países.
“A Frente de Libertação de Moçambique — movimento libertador que deu origem à Frelimo — foi fundada na Tanzânia, a 25 de junho de 1962. Desde então, este país tem sido um aliado fundamental de Moçambique. Não poderíamos deixar de estar presentes num momento especial como este, representando o povo moçambicano”, declarou Daniel Chapo durante a cerimónia.
Apesar da explicação, o gesto não foi bem recebido pela oposição. O Podemos, por meio do deputado Elísio Muaquina, afirmou que a atitude do Presidente revela proximidade com regimes contestados:
“Tendo em conta o que marcou o processo eleitoral em Moçambique e as suas irregularidades, percebe-se que um é filho do outro”, ironizou o parlamentar.
As bancadas da Renamo e do MDM também criticaram a participação do chefe de Estado, lembrando que a reeleição de Samia Suluhu foi acompanhada por denúncias de fraude e violência. A líder tanzaniana venceu com 98% dos votos, num processo marcado por protestos e centenas de mortes, segundo a oposição.
O partido Chadema, principal força opositora na Tanzânia, afirmou que entre 700 e 800 manifestantes foram mortos durante os três dias seguintes às eleições. A ONU, por meio do secretário-geral António Guterres, expressou “profunda preocupação” e apelou a uma investigação “minuciosa e imparcial” sobre o uso excessivo da força.
A União Africana lamentou as mortes registadas, apesar de felicitar Samia Suluhu pela reeleição, enquanto a União Europeia classificou de “confiáveis” os relatos que apontam para uma repressão violenta contra manifestantes que chamam o pleito de “farsa eleitoral”.




