Andrew Pearse, Banqueiro das “Dívidas Ocultas” em Moçambique, Cai na Desgraça e Trabalha com Lixo – Times de Todos

O ex-banqueiro Andrew Pearse, um dos protagonistas do escândalo das “dívidas ocultas” de Moçambique, encontra-se atualmente desempregado, sem casa e afastado da família. Hoje, o seu foco de trabalho está no setor do lixo, transformando a nova realidade da sua vida em profissão.
Pearse perdeu tudo após ter sido condenado em Brooklyn, nos Estados Unidos, pelo seu envolvimento no esquema financeiro que abalou a economia moçambicana, conforme reportagem do jornal espanhol El País. “O seu casamento terminou, a relação com os três filhos desfez-se, perdeu a casa, as poupanças e a carreira”, relata o artigo intitulado: “Viver do lixo: a queda de um banqueiro estrela”.
De Executivo de Luxo a Recolhedor de Resíduos
Ex-diretor-executivo do Credit Suisse AG, Pearse vivia um estilo de vida de luxo até à prisão. Atualmente, hospeda-se na casa de um amigo, viaja em classe económica e não recebe mais os salários milionários que tinha como banqueiro. Hoje, dedica-se à recolha de lixo, transformando a adversidade em oportunidade, segundo El País.
Em entrevista à Bloomberg, Pearse afirmou: “Quando fui detido em 2019, não tinha noção do que os outros passam”. Durante sua carreira, documentos judiciais, depoimentos de advogados, familiares e colegas descrevem Pearse como um banqueiro “arrogante”, “egoísta” e “imprudente” em tempos de poder.
Nascido na Nova Zelândia em 1969, Pearse mudou-se para Tóquio ainda criança e, posteriormente, para Londres. Cresceu com um pai distante e exigente, o que o motivou a buscar excelência nos estudos e no esporte como forma de superar humilhações familiares, segundo carta de sua ex-mulher Catherine enviada ao tribunal.
Ascensão e Queda no Mundo Financeiro
Andrew Pearse seguiu o caminho típico de jovens ambiciosos de famílias abastadas, estudando em escolas privadas e universidades de prestígio antes de ingressar no mundo da banca e do direito em Londres, nos anos 1990. Em 1996, casou-se com Catherine, advogada de renome, formando família e vivendo em uma luxuosa casa de campo.
Apesar de uma carreira promissora, Pearse envolveu-se em negócios arriscados que resultaram em bilhões perdidos e escândalos internacionais. Atuava como assessor financeiro, prometendo sanear bancos em dificuldades, mas muitos projetos acabavam em falência. Antigos colegas destacam sua astúcia e habilidade, embora também o descrevam como presunçoso e movido por ambição financeira.
Operações Controversas e Relações Internacionais
A partir de 2011, Pearse trabalhou com governos e multimilionários da antiga URSS, Médio Oriente e África. Segundo colegas do Credit Suisse, sua estratégia incluía captar clientes ricos, mas inexperientes, explorando “zonas cinzentas” da regulação. Entretenimento corporativo incluía jantares e clubes noturnos, conforme relatado pelo El País.
Em 2012, criou sua própria empresa e iniciou parcerias com o grupo de estaleiros navais Privinvest, responsável pelos barcos de pesca de atum usados para viabilizar o financiamento dos dois bilhões de dólares das dívidas ocultas de Moçambique. A empresa de Pearse, Palomar, foi criada em 2013 nos Emirados Árabes Unidos, e ele recebeu subornos significativos da Privinvest para facilitar empréstimos garantidos pelo Estado moçambicano, resultando em graves prejuízos à economia nacional.
Recomeço no Setor do Lixo
Após o colapso do esquema em 2016, Pearse enfrentou processos judiciais e foi banido do setor bancário. Hoje, tenta reconstruir a vida e sonha em criar uma empresa de recolha de resíduos, dando um novo rumo à sua trajetória marcada por poder, escândalos e decadência.




