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“O terrorismo é interno e tem rostos conhecidos”, diz presidente do PODEMOS

O presidente do Partido Optimista pelo Desenvolvimento de Moçambique (PODEMOS), Albino Forquilha, considera que o país não está a empregar todos os esforços possíveis para eliminar o terrorismo em Cabo Delgado. Segundo o político, mesmo com recursos e informações disponíveis, falta vontade política e coordenação para encerrar um conflito que há oito anos destrói vidas e impede o desenvolvimento na província do Norte.

“Acredito que não estamos a colocar o nosso máximo interesse como moçambicanos e como dirigentes deste país para combatermos o terrorismo”, afirmou Forquilha, em entrevista ao Dossiers & Factos. “Com um pouco mais de vontade e organização, Cabo Delgado já poderia ter conhecido o fim desta insurgência”, acrescentou.

O líder do PODEMOS aponta dois caminhos possíveis para resolver o problema: uma ofensiva militar estruturada ou o diálogo direto com os grupos armados e as comunidades afetadas. Para ele, continuar a agir de forma dispersa e sem um plano claro “apenas prolonga o sofrimento das populações”.

Desde 2017, Cabo Delgado tem sido palco de ataques violentos que devastaram distritos como Palma, Mocímboa da Praia, Quissanga e Chiúre. O conflito provocou milhares de mortes, centenas de milhares de deslocados e a destruição de infraestruturas sociais e económicas. Diversas empresas suspenderam operações, resultando na perda de empregos e na fuga de investidores.

“O terrorismo não só causa luto, como também paralisa o desenvolvimento económico do país”, alertou o político.

Forquilha também sustenta que o terrorismo em Cabo Delgado é de origem interna, afirmando que “os próprios cidadãos moçambicanos estão a participar ativamente nos ataques”. Ele recorda que vários jovens de Nampula e outras províncias foram recrutados para integrar os insurgentes.

“Sabendo quem são e de onde vêm, o Governo tem condições para escolher: ou age com força militar, ou opta pelo diálogo. Mas não podemos continuar a fingir que o problema é importado”, defende.

O líder do PODEMOS propõe que o Governo se aproxime mais das comunidades afetadas, ouvindo líderes locais, famílias e chefes comunitários, para compreender as causas sociais e psicológicas que levam ao recrutamento de jovens. “Só com diálogo e confiança é possível alcançar uma solução duradoura”, sustentou.

No campo militar, Forquilha acredita que as Forças de Defesa e Segurança poderiam ter maior eficácia com uma estratégia territorial mais inteligente. Ele questiona:

“Por que não posicionar bases militares em pontos estratégicos para travar os terroristas? Não é falta de soldados, é má distribuição.”

O político também levantou suspeitas de que algumas figuras de alto escalão possam estar a beneficiar-se da guerra. “Precisamos investigar se quem lidera o combate está realmente comprometido. Caso contrário, há quem possa estar a lucrar com o conflito”, insinuou.

Apesar das críticas, Forquilha manifesta esperança na atual liderança nacional. “Acredito que o Presidente da República encontrará uma nova fórmula para devolver a paz a Cabo Delgado”, afirmou.

Por fim, o dirigente alerta para o impacto económico devastador da guerra:

“Moçambique já enfrenta dificuldades de desenvolvimento e a guerra agrava tudo. Em Cabo Delgado, há fome, deslocamentos e violação constante dos direitos humanos. Enquanto a insegurança persistir, o progresso será travado.”

Forquilha concluiu apelando à união nacional e a uma ação coordenada para acabar de vez com o terrorismo e devolver esperança às populações do Norte.

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