Politica

Hélder Mendonça critica Venâncio Mondlane por “vaidade” e bloqueio ao diálogo, ANAMOLA rebate

Maputo – 29 de Setembro de 2025 – A política moçambicana voltou a ser movimentada com a divulgação de uma carta pública de Hélder Mendonça, do PODEMOS, dirigida a Venâncio Mondlane, presidente do ANAMOLA. Na missiva, datada de 28 de setembro, Mendonça critica duramente a postura de Mondlane em relação ao Diálogo Inclusivo Nacional e à unidade da oposição.

Segundo Mendonça, Mondlane estaria a adotar uma “retórica intensa, muitas vezes populista”, alimentando uma “vaidade perigosa” que estaria a prejudicar os esforços de pacificação e coesão política no país. O dirigente do PODEMOS questiona a forma como Mondlane condiciona a participação em plataformas de diálogo, sugerindo que, para o líder do ANAMOLA, a inclusão só seria válida se ele estivesse no centro da mesa.

Mendonça recorda que, em dezembro do ano passado, Mondlane e o ANAMOLA teriam ignorado convites para integrar uma plataforma inclusiva, apresentando em troca os chamados “28 pontos insanáveis”, vistos por Mendonça como uma manobra retórica destinada a manipular o processo de diálogo.

“Não se pode exigir o monopólio da moral política enquanto se cultiva incoerência discursiva”, afirmou Mendonça, criticando Mondlane por desconsiderar propostas de outros partidos e coligações da oposição enviadas em novembro.

O membro do PODEMOS também condena a atitude de Mondlane de realizar uma cerimónia de investidura autoproclamando-se Presidente da República, classificando o ato não como coragem política, mas como “vaidade perigosa”. Apesar de reconhecer a popularidade e a capacidade de mobilização online de Mondlane, Mendonça sublinha que verdadeira liderança exige ouvir, ceder, unir e construir, priorizando a “política da caneta” sobre a “política da rua”.

ANAMOLA reage e aponta exclusão deliberada

Em resposta, Dinis Tivane, porta-voz do ANAMOLA, contestou as acusações, afirmando que a ausência de Mondlane no processo de diálogo não foi por recusa, mas devido a ameaças à sua vida e a uma alegada exclusão deliberada pelos demais partidos da oposição.

“Mondlane nunca se recusou ao diálogo. Ele estava exilado e sob risco de morte. Ignorar este facto é agir sem escrúpulos”, afirmou Tivane, lembrando ataques que resultaram na morte de Elvino e mais de 500 pessoas.

Tivane destacou que Mondlane manteve contato com o então Presidente Nyusi, mesmo em exílio, demonstrando disposição para o diálogo, e que sua exclusão do processo foi premeditada. O porta-voz também reforçou a legitimidade política de Mondlane, lembrando que o ANAMOLA e VM7 representam mais de 50% dos eleitores moçambicanos, justificando que qualquer diálogo sem Mondlane não seria representativo.

Sobre os “28 pontos insanáveis”, Tivane explicou que o documento incluía contribuições de líderes como Momade, Simango, Forquilha e representantes da sociedade civil, contrariando a visão de Mendonça de que seriam exigências unilaterais de Mondlane.

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