Governo moçambicano admite dificuldades na reestruturação da LAM, mas garante continuidade da companhia

O Governo de Moçambique reconheceu que a reestruturação da Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) enfrenta obstáculos significativos, mas garantiu que o processo está focado em manter a companhia funcional e segura. A previsão é de que até dezembro sejam incorporadas cinco novas aeronaves à frota.
Durante uma visita de três dias à Zambézia, o ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, admitiu que “o caminho não será fácil” e que ainda existem muitos desafios pela frente. Contudo, assegurou que todos os padrões internacionais de segurança estão a ser respeitados.
A LAM acumula há anos problemas estruturais, ligados sobretudo à frota reduzida, à falta de investimentos e a episódios de manutenção deficiente. Para inverter este cenário, em fevereiro o Governo aprovou a alienação de 91% das ações do Estado na empresa, prevendo arrecadar cerca de 130 milhões de dólares (8,3 mil milhões de meticais). O montante deverá financiar a aquisição de oito novas aeronaves e sustentar a reestruturação em curso.
Numa assembleia-geral extraordinária, o Instituto de Gestão das Participações do Estado (IGEPE) deliberou a cessação de funções do presidente do conselho de administração, Marcelino Gildo Alberto, e de outros administradores. Em substituição, foi criado um conselho de administração não executivo, integrado por representantes das estatais CFM, HCB e Emose, agora acionistas da transportadora.
Além disso, foi estabelecida uma comissão de gestão subordinada ao conselho, com funções executivas, responsável por assegurar a continuidade das operações.
Em maio, o Governo contratou a consultora Knighthood Global, dirigida por James Hogan, ex-presidente da Etihad Airways, para liderar a nova etapa da reestruturação. A empresa recebeu um mandato inicial de três meses para estabilizar e reposicionar a companhia, em articulação com os novos acionistas.
Com estas medidas, o Executivo acredita que será possível devolver à LAM a competitividade perdida e reforçar a confiança dos passageiros, apesar das dificuldades que ainda persistem.




