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“Não reconheço Samia Suluhu como presidente legítima da Tanzânia” – Times de Todos

Gaborone / Dodoma / Nairobi (10 de novembro de 2025) — O ex-presidente do Botswana, Ian Khama, lançou duras críticas contra a liderança política em África, direcionando particularmente suas acusações à presidente da Tanzânia, Samia Suluhu Hassan, a quem chamou de “ilegítima”, afirmando que as eleições de 29 de outubro naquele país foram manipuladas e marcadas por repressão à oposição.

Em declarações ao jornal Daily Nation, Khama foi categórico:

“Eu não reconheço a pessoa que foi empossada como presidente da Tanzânia. Ela é uma presidente ilegítima.”

O ex-chefe de Estado, que governou o Botswana entre 2008 e 2018, afirmou que a Tanzânia representa um dos exemplos mais preocupantes de retrocesso democrático no continente, citando alegações de fraude eleitoral, intimidação de opositores e uso excessivo da força policial para conter protestos.

De acordo com informações apuradas pela Reuters e pelo The Guardian, a eleição presidencial de outubro em que Samia Suluhu foi declarada vencedora com ampla vantagem foi seguida por manifestações violentas, prisões de manifestantes e denúncias de manipulação de resultados por parte da oposição.

Khama ampliou as críticas, apontando que vários líderes africanos continuam a perpetuar-se no poder através de eleições fraudulentas e repressão política, citando como exemplo o presidente dos Camarões, Paul Biya, que foi recentemente empossado aos 92 anos.

“Enquanto alguns líderes africanos tratarem o poder como um direito pessoal e não como um dever ao serviço do povo, o continente continuará a sofrer. Precisamos de líderes que defendam princípios, não interesses pessoais”, declarou o ex-presidente.

Khama também enfatizou que o problema da má governação em África não está apenas na política, mas também na cultura de medo e silêncio que domina muitas instituições.

“Os africanos devem exigir mais dos seus governos e deixar de aceitar líderes que chegam ao poder através da força e da corrupção.”

As palavras de Khama têm gerado forte repercussão internacional, sobretudo nas redes sociais, onde internautas tanzanianos e ativistas democráticos de vários países expressaram apoio às suas declarações, enquanto outros o acusam de ingerência nos assuntos internos da Tanzânia.

Até ao momento, o governo tanzaniano não emitiu uma resposta oficial às declarações do ex-presidente botswanês, mas fontes próximas ao partido no poder consideram as suas observações “infundadas e motivadas politicamente”.

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