Funcionários de Cultura e Turismo em Cabo Delgado denunciam corrupção, abandono e maus-tratos

Cabo Delgado – Trabalhadores da Direção Provincial de Cultura e Turismo de Cabo Delgado levantaram sérias acusações contra a atual liderança da instituição. Em duas cartas enviadas à redação, os funcionários relatam práticas de corrupção, falta de transparência, discriminação, assédio e negligência na gestão do setor.
As denúncias começam com um apelo dramático: “Socorro, socorro, socorro”, expressão que traduz a indignação e o desespero vividos no ambiente de trabalho.
Segundo os relatos, a dirigente raramente comparece aos gabinetes ou a eventos da área, mantendo contato apenas com um grupo restrito de colaboradores. Essa postura teria gerado favoritismo, exclusão e ausência de diálogo institucional.
“Não sabemos se trabalhamos para a função pública ou para uma empresa privada. Não temos reuniões, não recebemos visitas da dirigente e não existe qualquer comunicação. É como se estivéssemos abandonados”, dizem os trabalhadores.
Os documentos também acusam a responsável de se apropriar de benefícios que deveriam ser destinados ao coletivo, inclusive em datas comemorativas como o Dia da Função Pública e o Dia Mundial do Turismo. Nessas ocasiões, segundo os denunciantes, os funcionários permanecem sem água e sem condições mínimas, enquanto a dirigente usufrui sozinha das vantagens.
Outro ponto grave citado é a alegada tolerância a casos de assédio e envolvimentos íntimos entre colegas dentro da instituição, além de situações de cobrança indevida que não teriam recebido qualquer intervenção disciplinar.
Entre os problemas levantados estão ainda:
- ausência de reuniões e iniciativas de gestão;
- discriminação no relacionamento com subordinados;
- falta de transparência na comunicação interna;
- conivência com práticas antiéticas.
Diante do cenário, os trabalhadores pedem a intervenção do Governador de Cabo Delgado, solicitando a transferência imediata da dirigente para outra função.
“Queremos uma liderança que nos dirija com dignidade e garanta condições para o setor. A situação tornou-se insustentável”, apelam.
As cartas foram assinadas apenas como “funcionários”, o que demonstra o receio de retaliações, mas, ao mesmo tempo, expõem um forte clima de descontentamento num setor considerado estratégico para o desenvolvimento cultural e turístico da província.
Até ao momento do fecho desta matéria, a dirigente alvo das denúncias não se pronunciou sobre as acusações.




