Família Guebuza perde minas em Manica após pressão política de filhos de Nyusi

O sector mineiro em Manica voltou a revelar as rivalidades internas entre as elites políticas moçambicanas. Informações recolhidas pelo Evidências indicam que várias concessões mineiras, antes sob domínio da família Guebuza, foram retiradas através de forte pressão e posteriormente entregues a empresas ligadas aos filhos do então Presidente da República, Filipe Nyusi.
Um dos casos mais ilustrativos é o da licença 10364L, inicialmente atribuída à Focus 21 Explorator S.A., gerida por Mussumbuluko Guebuza, que acabou transferida para a Flomining, propriedade de Florindo Nyusi.
O processo começou de forma aparentemente regular: a Focus 21 obteve a aprovação comunitária, pagou as taxas exigidas e mobilizou equipamentos para iniciar a exploração. No entanto, a chegada da maquinaria a Chazuca despertou o interesse de concorrentes próximos do círculo presidencial. Florindo Nyusi, conhecido como Flow Boss, teria intervindo pessoalmente, com ameaças e exigências de acesso a informações, chegando a afirmar que membros da Focus poderiam ser presos.
A pressão culminou a 2 de outubro de 2020, quando a Focus 21 foi notificada de que a sua licença seria cancelada sem fundamentos concretos. O argumento oficial era de que a área se situava numa zona fronteiriça, mas, poucos dias depois, a mesma concessão foi entregue à Flomining. O episódio expôs a utilização de influência política no sector mineiro, transformando o que deveria ser uma disputa legal num embate de poder entre famílias ligadas ao Estado.
Na altura, Edson Macuácua, presidente do INAMI, foi apontado como uma das figuras que cedeu às pressões, admitindo ter escolhido a “morte menos dolorosa” numa batalha política e económica intensa. O caso evidencia como a exploração de recursos naturais em Moçambique continua a ser marcada por chantagens, intimidações e apropriações forçadas, colocando em xeque a transparência e a credibilidade da governação.
Fonte: Kelven Média




